terça-feira, 1 de julho de 2014



Homem Águia.
Por: Marlene Passos


HOMEM ÁGUIA.

A Descoberta
autora: Marlene Passos

Um homem bem vestido, gravata e um sapato estiloso desce do carro em frente um jardim. Seus pés vão caminhando e sua imagem se mostrando pouco a pouco, estatura média, tórax bem definido e um lindo rosto moreno.
Olha para o jardim e vê de costas um jardineiro, chapéu, macacão largo e nas mãos uma pequena pá. Ele chama atenção pensando ser um jardineiro, ao se virar mostra-se o rosto de uma linda
jovem, lábios sensuais e olhos azuis. Ele se surpreende pela beleza da jovem, disfarça e diz:
_ Bom dia, meu nome é Keison, sou advogado do escritório Central.
_ Advogado?
_ Desculpe me apresentar com essa formalidade, na verdade estou aqui por um motivo simples. Minha mãe tem um orquidário e está precisando de um jardineiro, você poderia?
_ Tudo bem, fiz jardinagem e trabalho somente no periodo da manhã, deixe seu endereço, depois ligo marcando uma hora.
_ Ok, está aqui meu cartão particular.
Ela guarda no bolso o cartão.
_ Qual seu nome?
_ Me chamo Enelini Frances, na faculdade me chamam de Ene.
_ Ok Ene, então até mais.
_ Até.
Enquanto Ene se vira para continuar o trabalho, ele vai até o carro e fica admirando como se ela fosse uma das flores.
No dia seguinte Ene liga para Keison, marcam o horário e ele a espera. Ela para o carro frente a casa, caminha até o portão de shorts e camiseta colada mostrando uma perfeita silhueta, cabelos longos e lisos soltos até a cintura. Ele fica hipnotizado pela beleza, primeiro contato visual, mas disfarça.
_ Entre Ene, minha mãe a espera.
_ Ola, meu filho já falou de você, seja bem vinda. Me chamo Angelina, vamos as flores?
_ Obrigada, vamos lá.
Ene observa as flores e diz os produtos que será preciso passar.
_ Depois de passar esses produtos as flores ganharão mais vida, a floração será mais intensa.
_ Ene, adoro minhas flores mas não sei cuidar como se deve. Você pode comprar os produtos para mim?
_ Claro, sem problema.
_ Meu filho a levará.
_ Não precisa, estou de carro.
_ Faço questão de levá-la comprar os produtos.
_ Então vamos.
Keison e Ene entram no carro e vão.
_ Admiro a sensibilidade para cuidar das flores. ela sorri dizendo: _ Sou apaixonada pelas flores, mas não gosto de colhê-las.
_ Por quê?
_ Elas morrem antes do tempo.
_ Isso é verdade.
Qual a faculdade que estuda?
_ Faculdade Anchieta, faço Artes Plásticas, estou no último semestre.
_ Fantástico.
_ Adoro tudo que simboliza artes , música, literatura, desenho, pintura, enfim, adoro.
Chegam ao lugar indicado por Ene, ambos descem do carro, enquanto ela procura os produtos Keison observa um vendedor a olhando intensamente.
_ Ene, encontrou os produtos?
_ Sim, vamos lá.
Ene mostra os produtos ao vendedor que a atende com muita gentileza. Na despedida ela agradece.
_ Obrigada pelo atendimento.
_ Às ordens, posso perguntar seu nome?
_ Ene.
_ Prazer em conhecê-la, meu nome é Cláudio.
_ Vamos Ene, minha mãe nos espera.
_ Sim, vamos.
No carro Keison questiona:
_ O vendedor não tirava os olhos de você.
Ene sorri e diz:
_ Deve ser meus olhos azuis, herdei de minha avó.
_ Acho que ele gostou do conjunto todo!
Ela sorri novamente e diz: _ Keison, trato a todos com gentileza mas só isso, não tenho tempo para pensar em romance, pelo menos no momento não!
_ Por quê?
_ Precisava que meu dia fosse 48 horas.
Ambos riem e chegam na casa de Keison.
_ Dona Angelina.
_ Por favor minha jovem, me chame de Angelina.
Sorrindo Ene diz:
_ Angelina, achamos os produtos que preciso, vou fazer o preparo, passar nas plantas, após duas semanas volto para ver como estão. Ene passa o preparado com carinho enquanto Keison a admira.
_ Terminei, agora preciso ir, tenho trabalho da faculdade para terminar.
Se despedem e Keison a leva até o carro.
_ Ene, ainda não me deu seu número de telefone.
Ela sorri e pega um cartão.
_ Está aqui meu número. Agora preciso ir.
_ Ok.
Ela entra no carro e vai enquanto ele deslumbrado a fita até sumir de vista. Ao entrar Angelina chama o filho.
_ Keison, ficou ainda mais lindo com esse olhar de apaixonado.
_ Mãe, nem a conheço bem!!!!!
_ Já ouviu falar em amor à primeira vista?
_ Mãe, nem inventa, minha missão deve ser maior que qualquer paixão e esse é nosso segredo.
_ Eu sei meu filho.

2º Capítulo


Ene chega em casa, brinca com a sobrinha adorada de dois anos e depois vai estudar.
Passam alguns dias, Ene chega da Faculdade, toma um banho, liga a TV e se deita. De repente o programa é interrompido para uma notícia urgente, Ene assisti com atenção enquanto
o repórter relata o acontecido: _ É incrível a sensação dessa notícia inédita! Dois carros fortes são cercados por bandidos fortemente armados, rendem os vigilantes e no mesmo instante
numa velocidade fenomenal surge um ser voando e de repente aterrissa feito uma Águia. Os bandidos começam atirar enquanto o ser luta e desvia dos tiros, conseguindo render os foras da lei e
os amarrando com sua corda de penas, logo após alça voo deixando-os perplexos.
A polícia chega e ouve os relatos prendendo os bandidos.
Ene fica fascinada pois também estava escrevendo uma aventura.
_ Nossa, que incrível! pensei que super herói só existisse na imaginação dos escritores.
Passa a noite, passam os dias e chega o momento de Ene ver as flores de Angelina.
_ Olá Angelina, tudo bem? vim ver suas flores.
_ Entre Ene, elas estão esperando por você.
Elas entram, enquanto olham as flores Keison chega e se sente feliz ao ver Ene.
_ Olá Ene, que prazer em revê-la. Pensei em ligar pra você mas tive muito trabalho esses dias.
_ Tudo bem Keison também estive muito ocupada, além de tudo que faço, ainda estou escrevendo uma aventura cheia de ação.
_ É escritora também?
_ Sou escritora, desenhista, pintora, jardineira, flautista e pianista.
_ Nossa!!!!! tudo isso numa jovem só!!!!!!!!
Todos riem e Ene diz:
_ Sou apaixonada pelo que faço.
_ Qualquer dia quero ver suas pinturas.
_ Vai sim, no cartão que lhe dei tem meu endereço, leve sua mãe também.
Nesse instante chega o irmão de Keison com o filhinho de dois anos, Ene fica encantada.
_ Que lindo!!!!!! também tenho uma sobrinha, ela tem dois anos.
Keison aproveita o momento e diz:
_ Qualquer dia podemos levar nossos pequenos no parque, o que acha?
_ Se os pais deixarem...
Todos riem. O irmão de Keison diz:
_ Por mim tudo bem, meu filho Álison adora esse tio.
Ene carrega o garotinho e o beija, ambos ficam amigos. Álison diz:
_ Você é linda.
_ Você também é lindo, muito fofo.
Angelina, as flores estão ganhando brilho, está tudo indo bem, agora preciso ir.
Ene beija o garotinho mais uma vez e se despede. Keison a leva até o carro.
Cada vez que ele a olha a paixão aumenta.
_ Preciso ir Keison.
_ Tudo bem, te ligo.
Passam os dias, numa tarde Keison vê Ene saindo do trabalho de jardinagem, ela tira o chapéu e os cabelos deslizam pelas costas. Keison não resiste e se aproxima.
_ Olá Ene.
_ Olá Keison, tudo bem?
_ Tudo. Pensei em convidá-la esse domingo para levarmos nossos sobrinhos ao parque.
_ Tudo bem,estou devendo esse passeio a minha sobrinha. Combinado.
_ Passo na sua casa?
Tudo bem, às 9:00 esperamos vocês.
Se despedem e Keison ansioso não vê a hora de chegar o momento do passeio.
Ene espera Keison na frente de sua casa, ele chega com o sobrinho, se cumprimentam, ela e a sobrinha entram no carro e seguem rumo ao parque.
Chegam, as crianças vão logo correndo para os brinquedos. Ene sorri e diz:
_ A fase mais linda da vida é a infância.
_ Concordo. Esse parque é lindo, uma natureza fantástica, pena que o bosque é interrompido pela avenida paralela.
_ Ambientes assim me fazem bem, me identifico.
_ É verdade, saímos um pouco do ambiente conturbado e barulhento da selva de pedra.
_ As cidades são símbolos de progresso, mas tiram a naturalidade das coisas.
_ As cidades nos colocam numa visão ilusória de consumo.
_ Realmente, mas precisamos aprender em sentido amplo e as cidades nos proporciona várias vertentes.
_ Exatamente.
As crianças brincam enquanto os dois observa.
_ Olha que delícia!!!! eles caem, correm, brincam, pulam, se sujam, isso é vida!
Keison a olha com ternura segurando sua mão, ela o fita e a emoção os encanta, vão se aproximando, os olhos brilhando, os lábios sedutores se procuram, mas, antes que o beijo
aconteça escutam gritos , olham rapidamente e enxergam dois homens correndo e levando as crianças, entrando no bosque. Ene fica desesperada e corre com Keison para o bosque. De repente escutam barulho de carro saindo em disparada depois do bosque na avenida paralela.
_ Como não notamos a aproximação deles?
_ O que sentimos foi muito forte e nos perdemos no tempo, volte, vá até o carro e ligue para polícia.
_ Tudo bem.
Enquanto Ene vai em busca de socorro Keison fica no bosque. Num instante seus olhos vão se transformando ganhando outra tonalidade, cores se chocam na profundeza da íris e de seus lindos lábios surge um bico de águia, de seus braços grandes asas e seu corpo fica coberto de penas, numa rapidez desesperada alça voo.
Com olhos de águia busca sinais como se fosse um radar, sobrevoa a região do parque e consegue localizar o carro que segue em grande velocidade.

3º capítulo


Em fração de segundos surge na frente do carro, o motorista assustado tenta desviar mas as rodas patinam no ar, o homem Águia segura o carro fazendo-o parar. Com cordas de penas amarra os
bandidos deixando as crianças fascinadas pelo super herói. A polícia se aproxima e o homem Águia alça voo com velocidade incrível..
A polícia prende os foras da lei e entrega as crianças a Ene. Ela tenta ligar para Keison e não consegue, volta para o parque com as crianças na intenção de encontrá-lo.
Chegando ao parque o encontra, ele abraça o sobrinho e diz:
_ Meu sobrinho, não me perdoaria se algo acontecesse a vocês. Ene conta o acontecido e Keison demonstra surpresa dizendo:
_ Ainda bem que deu tudo certo.
_ Todos estão falando de um super herói homem Águia.
_ Não acredito em super heróis, isso é fantasia.
_ Esse super herói é muito rápido, ninguém conseguiu tirar fotos dele.
_ Se não tem provas ele não existe, é apenas uma lenda.
_ Preciso investigar, qualquer dia vou me por em perigo só pra ver se ele aparece.
_ Nunca faça isso, me prometa.
_ Não posso prometer o que não posso cumprir.
É melhor irmos embora, teremos muito a explicar.
_ Verdade, meu irmão ficará louco comigo.
_ O meu também.
Vamos enfrentar as broncas.
_ Fazer o quê?
Ambos chegam em suas casas e tudo é esclarecido.
A notícia do super herói espalha na cidade.
Na noite seguinte, depois da faculdade Ene liga a TV e novamente outra notícia do homem Águia.

_ Atenção, nesse exato momento um homem tenta suicídio, ele está no 10º andar, vejam, está sendo filmado.
A repórter relata tudo se surpreendendo.
_ É incrível! o homem pula e numa velocidade fenomenal surge o famoso homem Águia, ele segura o homem com o bico deixando-o no chão, em seguida alça voo.
Ene assiste ansiosa e liga para Keison que não atende.
_ Por que será que ele nunca atende nessas horas!!!!!!!!?
No outro dia Keison chega no trabalho de Ene, ela deixa as flores, tira o chapéu, prende os cabelos e vai até ele.
_ Olá Keison, tentei ligar para você ontem, falar sobre as notícias do homem Águia.
_ Ene, já falei, isso é lenda.
Fizeram lenda em cima da notícia.
_ E como o homem não morreu ao tentar o suicídio do 10º andar?
_ Talvez não foi tão alto assim!
_ 10º andar não é tão alto?!!!!!! só se for pra uma Águia!!!!!!!!
_Vamos mudar de assunto, vai a faculdade hoje?
_ Hoje não terei aula, só palestra, vou aproveitar para escrever minha aventura.
_ Muda de plano, vamos ao cinema, esta passando um filme de ação incrível com Paul Walker.
_ Vamos, sou super fã dele, mas agora preciso trabalhar.
_ Tudo bem, até a noite, passo na sua casa.
Chega a noite e Keison vai a casa de Ene. Ela abre a porta e sai lindamente com um vestido azul realçando seus olhos bem claro, vestido decotado e justo.
Ele sorri e diz:
_ Pronta pra matar...
_ O que disse?
_ Quis dizer que parece uma estrela, a mais linda e sedutora do universo.
_ Ah! pare de galanteios e vamos assistir Paul Walker, adoro vê-lo em cena, é um espetáculo!
_ Vou ficar com ciúmes!
Ela sorri e diz:
_ Pare de graça, vamos logo.
Ene entra no carro e vão. Chegam ao cinema, sem dizer nada Keison coloca a mão na cintura de Ene, ela sorri e diz:
_ Quem deu permissão?
_ Melhor não discutir.
Entram no cinema e se sentam esperando o filme, as luzes se apagam e Keison coloca o braço nos ombros de Ene , antes que ela diga alguma coisa ele a beija, um beijo tão apaixonado
que eterniza a cena fazendo daquele momento um verdadeiro encanto.
_ Ene, sou apaixonado por você.
Ela sorri e diz:
_ Eu também por você, mas agora vamos assistir o filme.
_ Vamos.
Ambos olham para a tela. Ene nem percebe que na intuição de Keison passa outro filme, uma premonição. Ele enxerga no ponto sul da cidade uma jovem sendo assaltada, os bandidos
com facas e revolveres, todos mascarados. Keison diz a Ene que vai ao banheiro e sai.



4º Capítulo

Num canto escuro seus olhos começam se transformar e de repente sai pelos ares no clarão do luar uma águia em pleno voo, chega ao local onde a jovem é agredida. Um dos homens diz:
_ Vamos violentá-la.
Com o bico a águia tira a arma de um, com as asas derruba os outros e os amarra com corda de pena.
Pega o celular da jovem que estava com um dos bandidos e dá a ela para ligar à polícia, enquanto isso alça voo deixando-os surpresos.
No cinema Ene preocupada com a demora de Keison o procura com os olhos. Ele chega com pipocas.
_ Minha linda, demorei um pouquinho porque estava esperando a pipoca.
_ Keison, o que aconteceu? Você está com outra roupa!
_ Eu?
Ele tenta desconversar e diz:
_ Você que não notou a roupa que vim.
_ Você estava de camisa lilas e calça preta.
_ Minha linda, essa roupa eu estava outro dia, você está confundindo.
_ Agora sua camisa é bege e sua calça é azul!
_ Olha o filme, esse ator é magnífico mesmo!!!!
Ela fica confusa e assiste o filme comendo pipoca.
Termina o filme e entram no carro, ela encontra uma pena no banco.
_ Uma pena?
_ Algum pássaro passou por aqui, isso é comum acontecer.
E então, gostou do filme?
_ Adorei, Paul Walker atua perfeitamente bem nos filmes de ação.
_ Eu também adorei.
_ Mas você perdeu uma boa parte do filme.
_ Estava esperando a pipoca!
Ele tenta mudar de assunto:
_ Ene, minha mãe a convidou para almoçar em casa domingo.
_ Keison, preciso terminar um trabalho de faculdade.
Depois do filme dão voltas pela cidade e chegam na casa de Ene.
_ Meu anjo, agora preciso entrar.
_ Ah, fala de novo.
_ O quê?
_ Me chama de anjo.
Os dois riem, ele acaricia a face de Ene e a beija, um beijo que traduz toda suavidade e sensualidade naquele sentimento.
_ O que me diz, aceita o convite da minha mãe?
_ Aceito! agora preciso entrar.
_ Ok, a levo até o portão.
Keison abraça a amada como se estivesse chegando as estrelas, com toda fascinação, sentindo fluir a sensação mais doce, o êxtase mais embriagante, contagiante de toda sua vida.
Depois do apaixonado beijo se despedem e Ene entra toda encantada.
Keison chega em casa, sua mãe o espera.
_ Meu filho, preciso falar com você.
_ Pode falar mãe.
_ Filho, já percebi que está apaixonado por Ene e ela por você. Quando contará a ela do nosso segredo?
_ Não posso contar mãe, como ela reagirá ao saber que ama um mutante?
_ Filho, não poderá fugir da realidade. Precisa contar que houve uma mutação na sua genética.
Foi feito muitos estudos, constatou-se que somente na chegada dessa fase de vida aconteceria a transformação conforme a reação das emoções.
_ Mãe, só me transformo quando alguém está em perigo.
_ Que bom meu filho, os cientistas falaram que a transformação poderia ser para o bem ou para o mal. Você sempre foi fascinado pelas águias, deu-se então sua escolha.
Mas tem outra coisa que ainda não sabe.
_ O quê?
_ No mesmo dia que você nasceu, nasceu outro menino com a mesma mutação genética, com você tudo se converteu para o bem, mas e se com ele aconteceu o contrário?
_ Nossa!!!! não sabia da existência desse outro!
_ Não sabemos quem ele é, desde o nascimento a mãe e ele sumiram.
O pior é que ele deve saber do homem Águia e nós não sabemos nada sobre ele.


5º Capítulo


No departamento policial um sargento pensativo quebra um lápis. Outro policial pergunta:
_Sargento Agnaldo, está preocupado?
_ ... Quem será esse tal que está se exibindo? fazendo de conta que salva pessoas...
_ Sargento, ele é super herói.
_ Super herói não existe!!!!! Ainda vou acabar com a fama dele! se eu fosse uma serpente o esmagaria.
_ Sargento, não me leve a mal, mas parece que sente raiva de quem nem conhece!
_ Confesso que estou querendo conhecer...
O sargento fala com ódio no olhar.
Enquanto o sargento cultiva ódio, Keison fica pensativo no escritório. Um colega de trabalho observa.
_ Keison, você está estranho!
_ Não, estou preocupado apenas.
_ Posso saber com quê?
_ Esse sucesso do homem Águia pode colocá-lo em perigo, a inveja existe do lado mal.
_ Mas ele é super herói, quem pode fazer mal a ele?
_ Vamos mudar de assunto, temos muito trabalho aqui no escritório.
Em outro momento Ene trabalha cuidando das flores.
O sargento com um soldado passam na frente do jardim e vê Ene.
_ Olha soldado que jovem linda cuidando das flores, pare o carro. O soldado estaciona e o sargento desce.
_ Olá linda jovem, vende flores?
_ Esse jardim não é para vender flores, só as cultivo.
_ Fico admirado pelos seus lindos olhos, parece uma mistura de céu e mar.
_ Obrigada.
_ Sou o sargento Agnaldo Sandokane às suas ordens.
_ Obrigada novamente.
_ Posso convidá-la para jantar?
_ Desculpe, não posso aceitar, tenho namorado.
_ Tem? é uma pena!!!!!!
Nesse instante Keison estaciona o carro e desce.
_ Olá meu amor.
Keison beija a namorada e cumprimenta o sargento que o olha com desprezo.
_ Já vou, boa tarde.
O sargento entra no carro e vão, conversa com o soldado.
_ Soldado, quero saber tudo sobre essa jovem e o namorado dela, vou acabar com esse namoro.
Keison beija a namorada e diz:
_ Estava com saudades.
_ Eu também.
_ O que aquele policial queria?
_ Não sei, parou de repente e me convidou para jantar.
_ Mas que folgado!!!!!
_ Deixa pra lá meu amor, hoje vim sem carro você me dá uma carona?
_ Claro amor.
Chegam na casa de Ene, entram, enquanto ele olha as pinturas da amada, ela toma um banho. Ene sai do banho com cabelos molhados e uma toalha enrolada no corpo, Keison a olha
e diz:
_ Meu amor, como você quer que eu resista?!!!!!
_ Meu anjo, sempre saio assim do banho, depois coloco roupa.
_ Por mim está ótimo!
Começam a rir.
_ Meu anjo, vou me trocar no banheiro, minha mãe está para chegar.
_ Espera.
Keison a abraça e a beija como se fosse um vulcão em erupção, a toalha cai no chão e ele acaricia o corpo da amada.
Escutam a voz da mãe de Ene e param os carinhos. Ene vai ao banheiro se trocar. A mãe pergunta pela filha..
_ Olá Keison, tudo bem? Onde está Ene?
_ Olá dona Sueli, Ene está no banho.
_ Tudo bem, vou fazer um café.
_ Ok.

6º Capítulo


Ene sai do banheiro com um short azul e uma blusinha rosa, beija o namorado e diz no ouvido dele:
_ Te amo.
Ele a beija e diz:
_ Eu também te amo, cada vez mais. Vamos viajar final de semana?
_ É uma boa ideia, mas preciso convencer minha mãe.
_ Convencer do quê? a gente se ama.
_ Minha mãe é daquelas antigas. Só depois do casamento.
_ Se for assim eu caso!
Ambos começam a rir.
_ Meu amor, logo anoitece e preciso ir a faculdade.
_ Ok, a levo, depois vou buscá-la.
_ Tudo bem, vou adorar.
Enquanto isso o sargento pesquisando descobre a faculdade que Ene estuda.
Keison deixa a namorada na faculdade e se vai.
Chega em casa inquieto, começa a ter pressentimento.
Na faculdade Ene não tem as duas últimas aulas e tenta ligar para o namorado.
Espera na frente da faculdade enquanto tenta novamente ligar sem sucesso.
Keison inquieto sai e vai até a faculdade, ao chegar vê dois homens segurando Ene à força e colocando-a dentro de um carro.
Keison sai do carro e começa correr atrás do outro carro, sem perceber alça voo. O motorista do carro em que está Ene nem nota ser seguido por uma águia.
Ene grita dentro do carro.
_ Me deixem sair!
_ Calma linda, já chegaremos.
Chegam numa casa escondida entre árvores. Descem do carro com Ene e a leva para dentro. Ela é recebida pelo sargento e se surpreende.
_ Você!
_ Sim minha linda, fiquei fascinado com sua beleza, jurei que seria minha.
_ Você é um psicopata, não pode decidir por mim, eu tenho namorado!
_ Não importa, tiro ele do nosso caminho, essa noite você será minha.
De repente ouve-se um barulho do lado de fora, os homens são atacados e jogados longe. O sargento sai fora para ver e também é jogado longe.
O homem Águia se aproxima de Ene e a olha com carinho, ela olha e grita avisando do perigo, ele se prepara.
Uma enorme serpente, com olhos satânicos se aproxima, duas presas aguçadas ficam amostra. Num golpe a serpente enrola na Águia e começa apertar.
Ene grita. O homem Águia com seu bico afiado fere a serpente conseguindo se soltar. Com um golpe de asas joga a serpente longe. Se arrastando como um animal peçonhento surge novamente
e começa uma luta aterrorizante.
O homem Águia com suas presas fere gravemente a serpente que recua. O homem Águia abraça Ene com as asas e voa com ela.
Ene se surpreende com a cena vendo tudo do alto.
O homem Águia deixa Ene perto de sua casa. Ela entra sem palavras, apenas atônita. Tenta ligar para o namorado e ele não atende, ela continua tentando, depois de um tempo consegue
falar com Keison.
_ Olá amor, já vou buscá-la.
_ Amor, estou em casa, preciso te ver, contar o que houve.
_ Tudo bem, estou indo até sua casa.
Keison chega a casa da namorada como braço enfaixado e um pequeno corte na fonte.
_ Amor, o que aconteceu?
Está tudo muito confuso!
_ Amor, te amo, preciso contar um segredo.


_ Ia contar o que aconteceu comigo, mas o vendo assim...
Nesse instante Keison fecha os olhos e outro pressentimento.
_ Meu amor, preciso ir, depois te conto tudo, tenho uma missão a cumprir.
Ela chora desconfiada e ele se vai.
Correndo alça voo e vai ao Oeste da cidade, chegando vê a serpente destruindo casas, explodindo posto de gasolina, apavorando pessoas.
Pela TV Ene assiste a notícia ao vivo. A serpente joga carros em cima de outros carros, mas antes de destruir uma ponte o homem Águia chega abrindo o bico e voa em cima da
serpente, suas garras fere e a luta fica sangrenta.
As criaturas lutam até quase morte, Águia ferida consegue lançar a serpente nos fios elétricos, tudo fica escuro.
No outro dia é noticiada a morte do sargento.
Ene vai a casa do namorado e o vê mais machucado, ele a fita sem dizer nada.
_ É você, não é?!
A mãe de Keison aproxima e diz: _ Precisamos conversar com você Ene.
Depois que Ene escuta toda história Keison pergunta:
_ Ene, você ainda é capaz de amar um mutante? Saber que é melhor não termos filhos, pois poderão nascer com a genética alterada.
Ene fica calada por um tempo, depois diz:
_ Estou surpresa, ao mesmo tempo emocionada por amar um super herói.
_ Quer dizer que...
_ Amo você, sempre vou amá-lo.
_ Você me emociona, sou mutante!
_ Você´ apenas é levado pelo espírito justiceiro que se transforma para salvar vidas. Sou fã e apaixonada.
Se beijam e a mãe de Keison se afasta.
_ Ene, pensei que fosse desistir do nosso amor.
_ Não é qualquer mulher que pode ter e ser de um super herói!
_ E seus ferimentos?
_ Minha genética é acelerada, já me sinto melhor.
_ É impressionante! Os hematomas sumiram!
Hoje não vou resistir.
Keison fecha a porta do quarto e diz:
_ Também não vou resistir.
Se aproximam, se beijam com muito carinho e emoção.
_ Meu amor, sou o mutante mais feliz da terra, nesse magnífico êxtase sentiremos os impulsos mais profundos,
como se a explosão cósmica nos condensasse numa sensação de eclipse lunar.
Sentiremos a energia das estrelas, nossa conjunção será pura sedução a nos conduzir a luminosidade da aurora boreal.
Cada beijo seu traduz toda beleza do mistério universal.
Nesse instante ela o beija e se jogam na cama como se o amor estivesse abrindo uma cortina imortal.



 

POEMANDO
(Poemas de autores diversos)
EMBRIAGUÊS
Deve- se estar sempre bêbado.
É a única questão.
Afim de não se sentir o fardo horrível do tempo, que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra. É preciso te embriagares
sem trégua.

Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude?
A teu gosto mas embriaga-te.

E se alguma vez sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu te encontras com a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que voa, a tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, a tudo aquilo que geme. Pergunte que horas são.
E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão.

É hora de se embriagar !!!

Para não ser como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te. Embriaga-te sem cessar.

De vinho, de poesia ou de virtude. A teu gosto...

(Charles Baudelaire)


 
TELHA DE VIDRO
Rachel de Queiroz
Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
Rachel de Queiroz

DISPERSÃO
Sá Carneiro
 
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
 
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
 
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
 
(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:
 
Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).
 
O pobre moço das ânsias...
u, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.
 
A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.
 
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.
 
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projeto:
Se me olho a um espelho, erro —
Não me acho no que projeto.
 
Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.
 
Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida. 
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
 
Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo
 
A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.
 
(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei. 
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...
 
E sinto que a minha morte —
Minha dispersão total —
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
 
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.
 
Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...
 
Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas Pra se dar
Ninguém mas quis apertar
Tristes mãos longas e lindas
 
Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo?  UM rastro?... Ai de mim!,..
 
Desceu-me na alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.
 
Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em urna bruma outonal.
 
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço,..
..................................
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba
......................................
Paris, maio, 1913

NÓS
Fazer de você a realidade dos meus sonhos acordados.
Pudesse eu no tempo-espaço
Parar o tempo, encurtar o espaço;
Tê-la junto a mim – corpo a corpo, num corpo só
E fazer de você o amor eterno,
A linha curva do universo que me atinge.
Pudesse eu, na amplitude dos meus desejos
Fazer de você a realidade dos meus sonhos acordados
Olhando sempre perto, sempre ávido de carinho,
Seus olhos em recíproca harmonia com meu ser.
Pudesse eu, enfeitiçá-la com a magia dos gregos
Ordenando-lhe uma prece diária de amor que jamais finda.
(Gevaert Trajano Castro)

 
Não sei quem é
Mario Benedetti
 
É provável que venha de muito longe
não sei quem é nem a onde vai
é só uma mulher que morre de amor
nota-se em suas pétalas de lua
em sua paciência de algodão/ em seus
lábios sem beijos ou outras cicatrizes/
nos olhos de oliva e penitência

esta mulher que morre de amor
e chora protegida pela chuva
sabe que não é amada nem nos sonhos/
leva nas mãos suas carícias virgens
que não encontraram pele onde pousar/
e/ com o passar do tempo/ sua luxuria
derrama-se em um pote de cinzas.
.

O POÇO
Poema de Pablo Neruda


Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profundezas da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

ANNABEL LEE
Tradução de Fernando Pessoa.
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

EU SEI MAS NÃO DEVIA
Marina Colasanti
 
Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do  corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.
Nota: Este texto de Marina Colasanti (que foi grande amiga de Clarice) foi publicado em seu livro de mesmo nome (Eu sei, mas não devia - Ed. Rocco - Rio de Janeiro - 1996). Com este livro Marina conquistou um prêmio Jabuti.

Mude

Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.

Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.

Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.

Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.

Só o que está morto não muda !

Edson Marques.

Eduardo Alves da Costa
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
NOTA:
Estes versos fazem parte, desde 1968, quando foram escritos, de um longo poema do brasileiro Eduardo Alves da Costa, que nasceu em Niterói e vive desde a infância em São Paulo. Por algum motivo, foram logo atribuídos pelo escritor Roberto Freire, na epígrafe de um de seus livros, ao poeta russo Wladimir Maiakovski. O equívoco foi corrigido, mas a falsa autoria pegou: os versos foram transformados em pôster pelos líderes estudantis que combateram a ditadura militar, nos anos 70; transformados em inscrição da camiseta amarela da campanha pelas Diretas Já, nos anos 80: e, traduzidos para vários idiomas, transformados em corrente na Internet, nos anos 90. Aí, o autor já não era nem Eduardo nem Maiakóvski, mas Gabriel García Márquez, Bertolt Brecht, Wilhelm Reich e Leopold Senghor, entre outros.
Eduardo, poeta e artista plástico que já expôs na França na Alemanha, viu o poema impresso – e atribuído a Maiakóvski – na parede de uma galeria de arte em Paris e num café em Praga, na Tchecoslováquia. Recentemente, foi motivo de mais uma polêmica quando o autor de telenovelas Manoel Carlos colocou um de seus personagens declamando os conhecidos versos na novela “Mulheres Apaixonadas”, para 70 milhões de telespectadores. Uma crítica de TV deu nota zero para Manoel Carlos por ter dado a autoria correta: para a distraída jornalista, o autor ainda era... Maiakóvski.
O equívoco realimentou a polêmica: Manoel Carlos criou um diálogo, no capítulo seguinte, esclarecendo o erro – não dele, mas da jornalista – e contando a verdadeira história do poema. Milhares de telespectadores congestionaram os telefones da emissora perguntando onde encontrar o livro que contém o poema. Estava esgotado, mas Eduardo não teve dúvidas: procurou editoras interessadas em relançar sua obra, fora das livrarias há mais de 15 anos, e apenas uma – a Geração Editorial – aceitou o desafio de reeditá-la em duas semanas, a tempo de fazer o lançamento ainda dentro da novela – que terminaria no dia 10 de outubro.
É este livro, “No Caminho com Maiakóvski”, com todos os poemas de Eduardo Alves da Costa – a obra publicada até 1986 e os poemas inéditos – que chega agora às livrarias, com tiragem de 5.000 exemplares (significativa para livros de poesia) e todo o apoio do teledramaturgo Manoel Carlos e parte do elenco da novela, que se dispuseram a homenagear o autor na noite de autógrafos, dia 12 de outubro (um domingo) na Livraria Argumento, no Rio. Uma grande alegria para Eduardo, que, depois de quase 40 anos, vê seu poema mais famoso ser conhecido, de repente, por 70 milhões de pessoas.
A Geração Editorial – uma das editoras mais agressivas do mercado – pretende transformar a obra de Eduardo em um fenômeno de vendas.

PARA SER FELIZ
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num SPA cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Martha Medeiros
 


Cordel
 
Vento da eternidade
Por: Celso Roberto Nadilo

amar por que viver se amor é morrer,
então pensaria isso seria a plenitude,
viver ate que volta a pensar de novo,
nesse momento veria a morte como dom,
sentimento viril de forma que viver,
latente como a dor da morte.
seja a dor de viver na sombra da morte,
a dor pode ser parte do prazer,
diante dessa vida que maltrata,
no fundo do poço senti o gosto da morte,
então deixei ar da vida pelo desejo,
de sentir todos os prazeres da eternidade.

  celso Roberto Nadilo



                                     PAPEL  AO VENTO

   Um senhor, há muito tempo, tanto falou que seu vizinho era ladrão que o  rapaz acabou preso!  Dias depois, descobriram que era inocente.
 O rapaz foi solto, e processou o homem.
 No tribunal, o velho diz ao juiz:
- Comentários não causam tanto mal.
 E o juiz responde:
- Escreva os comentários num papel, depois pique e jogue os pedaços no caminho de casa. Amanhã, volte para ouvir a sentença.  O senhor obedeceu e voltou no dia seguinte.
 - Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem - disse o juiz.  Responde o velho:
 - Não posso fazer isso. O vento deve tê-los espalhado, já não sei onde estão.  Responde o juiz:
- Da mesma maneira, um simples comentário pode destruir a honra de um homem, a ponto de não podermos consertar o mal.  Se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada.

 Sejamos donos de nossa boca para não sermos escravos de nossas palavras.

Autor desconhecido.




 


                               O FURO NO BARCO                    

    Um homem foi chamado à praia para pintar um barco. Trouxe com ele tinta e pincéis, e começou a pintar o barco de um vermelho brilhante, como fora contratado para fazer. Enquanto pintava, viu que a tinta estava passando pelo fundo do barco. Percebeu que havia um vazamento e decidiu consertá-lo. Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.

    No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e presenteou-o com um belo cheque. O pintor ficou  surpreso:

     - O senhor já me pagou pela pintura do barco! - disse ele.

     - Mas isto não é pelo trabalho de pintura. É por ter consertado o vazamento do barco.

     - Ah!, mas foi um serviço tão pequeno... Certamente, não está me pagando uma quantia tão alta por algo tão insignificante!

     - Meu caro amigo, você não compreende. Deixe-me contar-lhe o que aconteceu. Quando pedi a você que pintasse o barco, esqueci de mencionar o vazamento. Quando o barco secou, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria. Eu não estava em casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois lembrei-me que o barco tinha um furo. Imagine meu alívio e alegria quando os vi retornando sãos e salvos. Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado! Percebe, agora, o que fez? Salvou a vida de meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar a sua "pequena" boa ação.

    Não importa para quem, quando ou de que maneira: mas, ajude, ampare, enxugue as lágrimas, escute com atenção e carinho, e conserte todos os "vazamentos" que perceber, pois nunca sabemos quando estão precisando de nós ou quando Deus nos reserva a agradável surpresa de ser útil e importante para  alguém.

Autor desconhecido.

 



                                FELICIDADE PARTILHADA

Uma história fantástica, e simples... Para se ler obrigatoriamente!!! Dois  homens,  ambos  gravemente  doentes,  estavam  no  mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.  Sua cama estava junto da única janela do quarto.  O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.  Os  homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias...  E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava  o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela.O  homem  da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela.  A janela dava para um parque com um lindo lago.  Patos  e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens  namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as  cores do arco-íris. Arvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte. Enquanto o homem da  cama perto da janela  descrevia isto tudo com extraordinário  pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena.  Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar.

Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente,  enquanto  o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.  Dias e semanas passaram.  Uma manhã, a enfermeira  chegou  ao  quarto trazendo água para os seus banhos,  e  encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.
Ela  ficou  muito  triste  e  chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se  podia  ser  colocado na cama perto da janela.  A enfermeira disse logo que sim e fez a troca.  Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou  o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora.  Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela... que dava, afinal, para uma parede de tijolo!  O  homem  perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro  de  quarto  lhe  tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.  A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia  ver  a parede.

"Talvez  ele quisesse apenas dar-lhe coragem...".

Moral da História:

  uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada  é  metade  da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.

Se  te  queres sentir rico, conta todas as coisas que tens que o dinheiro não pode comprar. 
          Autor desconhecido









 



                        A VERDADE E A MAGIA DA COMUNICAÇÃO  

 "Certa vez um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes.

 Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse seu sonho.

 "Que desgraça, senhor!"  - exclamou o sábio.

 "Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade!"

 "Mas que  insolente!", gritou o sultão.

 "Como se atreve a dizer tal  coisa?!"

 O sultão chamou os guardas e mandou que lhe dessem cem chicotadas.

 Ordenou, em  seguida, que chamassem outro sábio, para interpretar o mesmo sonho.

 O outro sábio disse:

 - Senhor, uma grande  felicidade vos está reservada!!!

 O sonho indica que irá viver mais que todos os vossos parentes!

 A fisionomia do  sultão iluminou-se e ele mandou dar cem moedas ao sábio.

 Quando este saía  do palácio, um cortesão perguntou:

- Como é possível?

 A  interpretação que você fez foi a mesma do seu colega e, no entanto, ele levou  chicotadas e você moedas de ouro!

 - Lembre-se sempre, amigo -  respondeu o sábio - que tudo depende da maneira de dizer as coisas.

 E  esse é um dos grandes desafios da humanidade!

 É daí que vem a  felicidade ou a desgraça;

 a paz ou a guerra.

 A verdade sempre deve ser dita, não resta a menor dúvida, mas a forma como ela é dita é que faz toda a  diferença.

 A MAGIA DA COMUNICAÇÃO   Havia um cego que pedia esmola à entrada do Viaduto do Chá, em São Paulo.

 Todos os dias passava por ele, de manhã e à noite, um publicitário que deixava sempre alguns centavos no chapéu do pedinte.

 O cego trazia pendurado no pescoço um cartaz com a frase:

 CEGO DE NASCIMENTO

 UMA ESMOLA POR FAVOR!

 Certa manhã o publicitário teve uma ideia, virou o letreiro do cego ao contrario e escreveu outra frase.

 À noite depois de um dia de trabalho perguntou ao cego como é que tinha sido seu dia.

 O cego respondeu, muito contente:

- ATÉ PARECE MENTIRA, MAS HOJE FOI UM DIA EXTRAORDINÁRIO. TODOS QUE PASSAVAM POR MIM DEIXAVAM ALGUMA COISA.

 AFINAL O QUE É QUE O SENHOR ESCREVEU NO LETREIRO???

 O publicitário havia escrito uma frase breve, mas com sentido e carga emotiva suficientes para convencer os que passavam a deixarem algo para o cego. A frase era:

 EM BREVE CHEGARÁ A PRIMAVERA E EU NÃO PODEREI VÊ-LA.
 A maioria das vezes não importa O QUE você diz, mas COMO você diz, por isso tome cuidado em como falar com as pessoas, pois isso tem um peso positivo ou negativo naquilo que você quer dizer. " ESTA É A MAGIA DA COMUNICAÇÃO
 

MESES DO ANO